| Junta de Freguesia - História da Terra |
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Nome: Camarate
Concelho: Loures
Distrito: Lisboa
Data de constituição: 1 de Maio de 1511
Elevação a Vila: 4 de Junho de 1997
Eleitores recenseados: 16.903
Número de Habitantes: 25.000 (aproximadamente)
Área: 5,47 km²
Densidade populacional: 4.570 hab/km²
Delimitações: freguesias de Sacavém, Unhos, Apelação, Frielas, Olival Basto, Prior Velho e Concelho de Lisboa. Zonas/Bairros: CAMARATE CENTRO - Bº Angola - Bº Boavista - Bº Bogalheira - Bº CAR - Bº Esperança - Bº Fetais de Baixo - Bº Fetais de Cima - Bº Fontaínhas - Bº Grilo - Bº Loureiras - Bº Mira Loures - Bº Santiago - Bº S. Benedito - Bº Stº António - Bº S. Francisco - Bº S. João - Bº S. José - Bº S. Lourenço - Bº Sousas - Bº Torre - Fonte da Pipa - Mucharros - Qta. Mós - Qta. Marvila - Qta. Palmares - Qta. Paraíso - Qta. Sta. Rosa - Urb. Qta. Galeão.
A origem mais provável do topónimo Camarate prende-se com o facto de, em tempos, ter sido cultivada nesta zona uma casta de videira chamada Camarate.
A Igreja Matriz foi fundada por D. Agapito Colona, Bispo de Lisboa, no século XIV, tendo sido posteriormente reconstruída e ampliada. Por altura da crise de 1383-1385, a quinta de Camarate, propriedade do judeu David Negro, administrador das alfândegas reais no reinado de D. Fernando e apoiante de Castela, foi confiscada e entregue a D. Nuno Álvares Pereira, que ali passou alguns anos com sua mãe, antes de professar no Convento do Carmo. Nessa quinta fundou o Condestável uma capela consagrada a Nossa Senhora do Socorro, tendo mais tarde oferecido essa mesma quinta aos Carmelitas Calçados, que aí fundaram um convento sob a mesma invocação. Mais tarde, através de D. Nuno Álvares Pereira, Camarate viria a ser integrada juntamente com muitas terras vizinhas, no património da Casa de Bragança.
A freguesia de Camarate separou-se da freguesia de Sacavém através de um foral de D. Manuel I, datado de 1 de Maio de 1511. A partir do século XVI tornou-se numa zona de lazer bastante procurada pela nobreza lisboeta, sendo famosa pela sua produção agrícola, característica das quintas que fizeram parte do quotidiano desta freguesia até meados do século XX.
Foi parte integrante do Termo de Lisboa (até 1852), depois do concelho de Santa Maria dos Olivais (entre 1852 e 1886). Posteriormente voltou a pertencer ao concelho de Lisboa (entre 1886 e 1895) e, por fim, em 1895, foi integrada no concelho de Loures, ao qual pertence. No dia 4 de Junho de 1996 foi elevada a vila por decreto da Assembleia da República.
A partir de meados do século XX, devido ao desenvolvimento industrial das freguesias limítrofes, a freguesia sofreu um crescimento populacional acelerado, acompanhado de um aumento de construções sem regras.
Camarate é a terra de infância do poeta Mário de Sá Carneiro, pioneiro do Modernismo na literatura portuguesa e um dos membros da Geração d’Orpheu em conjunto com Fernando Pessoa e Almada Negreiros. No entanto, o acontecimento que tornou Camarate bastante conhecida a nível nacional foi o acidente aéreo que vitimou o então Primeiro-ministro, Francisco Sá Carneiro e o Ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa, na noite de 4 de Dezembro de 1980. A poucas horas das eleições presidenciais desse mesmo ano, a aeronave na qual seguiam rumo ao Porto despenhou-se numa rua da freguesia. Essa história esteve na origem do filme Camarate.
Bairros:
- Camarate centro - Bº Angola - Bº Boavista - Bº Bogalheira - Bº CAR - Bº Esperança - Bº Fetais de Baixo - Bº Fetais de Cima - Bº Fontaínhas - Bº Grilo - Bº Loureiras - Bº Mira Loures - Bº Santiago - Bº S. Benedito - Bº Stº António - Bº S. Francisco - Bº S. João - Bº S. José - Bº S. Lourenço - Bº Sousas - Bº Torre - Fonte da Pipa - Mucharros - Qta. Mós - Qta. Marvila - Qta. Palmares - Qta. Paraíso - Qta. Sta. Rosa - Urb. Qta. Galeão.
Embora actualmente Camarate seja constituída por construções modernas, um olhar atento apercebe-se dos vestígios de Camarate de outrora: um aglomerado de quintas habitadas por fidalguia rural, que conjugava a vida palaciana com a exploração das suas terras.
Para além do contexto de paisagem agrícola, com propriedades de vinhedos e olivedos, que desde a Idade Média, nos dá conta do riquíssimo património paisagístico que caracterizou Camarate, há que fazer referência a um vasto património cultural construído.
Em 1370 é fundada uma capela, que é elevada a matriz em 1511, quando a freguesia de Camarate é desmembrada da freguesia de Sacavém. No reinado de D. João I, D. Nun'Álvares Pereira manda edificar uma capela dedicada à N. Sª do Socorro na Quinta de Salter que, depois doou aos frades carmelitas que, em 1602 fundaram um convento com a mesma invoção de N. Sª do Socorro.O convento e a quinta acabariam por ser vendidos em 1835, um ano após a extinção das ordens religiosas em Portugal. Destes testemunhos históricos apenas existem os restos da capela que actualmente, se encontra na Igreja Matriz, pois o palácio de Salter foi demolido para alargar o aeroporto de Lisboa.
Monumentos:
* Igreja Matriz - Orago: Santiago. Templo de uma só nave, revestida de azulejos verdes e brancos do séc. XVII, com coro alto e capela-mor muito profunda. No corpo da Igreja, salienta-se as pias de água benta em elegantes colunas, um belo púlpito circular de mármore do sec. XVII, os quatro altares laterais e os dois colares, em rica talha dourada do séc. XVII.
* Capela de Nossa Sra. da Vitória - Pertença da Casa dos Motoristas, possui 16 quadros em azulejo de alto valor que formam um lamdril em redor de todo o interior daquele templo desde o transepto até à nave. Monumento - património construido classificado como: Capela de Nossa Senhora da Vitória, Imóvel de Interesse Público: Localização: Largo 1º de Maio - Camarate Decreto nº 129/77, de 29 de Setembro
Quintas:
* Quinta do Redondo

* Quinta das Portas de Ferro

* Quinta das Laranjeiras
* Quinta da Morgada
* Quinta da Nora

* Quinta da Ribeirinha
*Quinta das Milfontes Trata-se de uma joia rara da Arte Manuelina, decorando inteiramente as fachadas das portas e janelas dos edíficios da Quinta. O topónimo de "Mil Fontes" resulta da abundância de nascentes na propriedade. No mimoso jardim das "Mil Fontes" há uma entrada de mina, que conduz a um poço no centro da quinta; dois tanques com decoros lavrados manuelinos, um deles ostentando um Janus Tricéfalo (emblema Hermes Trismegistos, a cuja ciência andou ligado D. Manuel e a sua Corte); e dois painéis de azulejos, do início deste século: "O Santo Contestável" e "O Milagre de Sto. António junto à Fonte".

* Quinta Sta. Teresa

* Quinta Sta Maria
* Quinta da Encarnação

* Quinta do Salter
* Quinta de S.Pedro Recentemente recuperada, esta é uma das quintas que ainda se conserva como registo das belas quintas de Camarate. Além de conservar ainda as suas caracteristicas originais possui um interessante nicho onde se encontrava uma estatueta de S.Pedro.
* Quinta do Ulmeiro
* Quinta de Santa Bárbara
* Quinta de Marvila
* Quinta dos Matos Pequenos
* Quinta da Vitória Ao longo de um caminho profundo estende-se uma casa de campo muito rústica, extensa construção que tem como principal ornamento a magnifica capela de Nossa Senhora da Vitória. A riqueza dos azulejos que ainda é possível testemunhar, torna-se por demais evidente ao observarmos os painéis da capela - uma verdadeira viagem didáctica aos ensinamentos das Sagradas Escrituras, onde cada cena é rematada, ao alto, pelo versículo correspondente ao trecho a que se refere. Em 1885 ficou pertença da família Sá Carneiro, que com a morte do coronel Sá Carneiro, pai do poeta Mário de Sá Carneiro, ficou ao abandono. Até que em 1957, a Associação dos Motorista Portugueses a adquire e a transforma em Casa de Repouso dos Motoristas.
Muitas destas quintas foram retalhadas para dar lugar a espaços urbanos que cresceram desordenadamente, dando lugar a uma paisagem sem os atractivos de outrora, a riqueza e identidade visual tradicional.
De algumas quintas restam apenas os pórticos e portais como testemunho do nobre património. Outras foram votadas ao abandono por falta de recursos financeiros dos seus proprietários e delas resta a terra, à espera de alguém que a torne de novo fértil.
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